quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Photofobia


essa luz
luz quente como o sol
fervilhante e ardilosa
luz que possue o veneno
veneno poderoso e cruel
que me mata aos poucos
que me atormenta
sob torturas e martirios
morbida luminescencia!

seu poder desditoso e hostil
que me toca com o aspero raio
penetrando nas veias do meu corpo
transmitindo dores agonizantes
em que nao resisto...

essa luz letal
que es censura da escuridao
a escuridao que e meu consolo
meu viver, minha paz...
em que anseio agora
nessas ultimas horas
antes que a luz afane
todo o folego da minha vida!

Porque os góticos e outras tribos alternativas são discriminados?




A sociedade vive de acordo com a mídia, o produto que a mídia lança.
Todo mundo quer comprar, o que a mídia lança tendência de moda, tomo mundo quer ter,
E isso já faz parte do cotidiano das pessoas, a mídia mostra um padrão que acha que todo mundo pode seguir, mas nem todos podem ou não.
Querem seguir. Só se e aceitável na sociedade, pessoas do tipo loira, magra, alta, de olhos azuis e rica; se você não tiver pelo menos
70% desse padrão, você e dito bárbaro pela sociedade, você e excluído!
E uma pena ver gente que se diz normal acreditar, comprar e fazer tudo o que a Televisão mostra, e é isso que já cansei de ver ao meu redor.
As pessoas perdem o seu tempo, vendo baboseiras na tevê e internet, olhando e copiando o estilo de vida de pessoas famosas que nem sabe se esses existem.
As pessoas não acordaram (claro, a tv e a internet cegaram a mente deles) ainda e não ver que esses famosos vivem de aparência vive dizendo às câmeras que esta tudo bem, tem uma vida boa, e que na verdade vivem infelizes, porque passa a maior parte do tempo sendo pressionados pelos olhares e pelos excessos de programação. e o pior e que, querendo por querer, forcam a nos seguir o padrão de vida efêmera dessa sociedade ignorante, para ser mais um ser manipulado pela mídia! Ou sendo
Marginalizado por essas pessoas brutas e cruéis que não sabem o que e cultura. Tente perguntar a eles o que e cultura, eles provavelmente vão responder que cultura e arte. Claro que arte faz parte da cultura, e a cultura e muito mais do que arte!
Onde esta a democracia que eles assinaram na constituição de 1988? E como diz um colega meu, essa democracia e imperialista onde a mídia manda na gente, querendo que siga tal padrão, efêmero e sem fundamentos, para que as pessoas seja o que na realidade não queria ser. E isso, muitas pessoas não queria seguir tal padrão, mas só seguem só para ser aceito na sociedade!
Com mídia ou sem mídia eu sigo o meu caminho do jeito que eu gosto, perdi amigos, perdi pessoas que na verdade não eram verdadeiras, e não me deixo levar nem um pouquinho por palavras ignorantes e desrespeitosas de pessoas que não tem nenhum preparo!
Alguns dizem para mim: porque você usa preto? Eu digo simplesmente porque eu gosto. Já me colocaram centenas de apelidos, em nem dou bola, eu as encaro como elogio! E por fim, aprendo a lidar com essa sociedade selvagem e bruta, que para mim.
Povos bárbaros são eles, porque o preconceito é barbarismo brutal!!!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Corvo - Edgar Allan Poe




Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Andarilho Solitário



Nos caminhos da escuridão
Ando no mundo em vão
Frívolo de coração
Respirando solidão!

Vago libertinamente
Triste e consequente
Sem apego, sem amigos,
E sem sombra de destinos.

O ardor do desprezo
Carrego em meu peito
Fazendo-me derramar em lágrimas
O ápice das mágoas.

E caminho em desespero
Nessa vereda das noites, sem lampejo,
O fulgor das languidas estrelas
Satisfaz a minha alma, plena de incertezas.
Roçando de cálidas neblinas        
Que em meu espírito, castiga...
Neblinas de severidade e insensatez!
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