quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Serpente que Dança - Charles Baudelaire



Em teu corpo, lânguida amante,
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.
Em tua fluida cabeleira
De ácidos perfumes,
Onda olorosa e aventureira
De azulados gumes,
Como um navio que amanhece
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento.
Teus olhos, que jamais traduzem
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.
Ao ver-te a cadência indolente,
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.
Ébria de preguiça infinita,
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.
E teu corpo pende e se aguça
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.
Qual uma inflada vaga oriunda
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes,
Bebo de um vinho que me infunde
Amargura e calma,
Um líquido céu que difunde
Astros em minha alma!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Tomentos Nazistas (Lamentos de um Judeu)



O timbre da tortura penetra na minha débil alma
minhas esperanças então invertidas por sequentes dores
dores de uma tirania penosa
injustiças do meu viver
insensatos por minha pobre raça
sendo extinguidos injustamente
brutalmente nessas chamas letais...

impede-me de respirar
o fôlego da minha árdua vida
e a expectativas feridas
por brutais munições
de oficiais de perniciosa alma
legião de hostilidades, usurpadores de esperanças

minha raça sendo presa neste pandemônio
rodeado de espinhos de ferro
no domínio mefistofélico
estampados com uma sangrenta suástica
sacrifício de um ódio racial...
que resulta o meu fim
nessas chamas ardentes
consumindo a minha carne
desgastados por sequentes torturas!

Pós - morte


Queria poder sumir
dissipar desse imundo mundo
embalsamado de sangue
derramado por almas inocentes
um mundo incandescente
que dilacera o meu ser...

não queria, deveras, ter morrido
queria poder doar
pedaços da minha vida
para almas merecidas
que lutam para não perder o folego de viver...
sinto-me em um completo vazio
sombrio, doentio,
envolta de gélidas neblinas
corroendo a minha alma lazarenta
plena de horrores
e demais feridas causadas pelos tempos soturnos
torturas repulsivas
pois vivo sobre os terrores da Lua Negra
onde morte domina o meu póstumo poder!

domingo, 10 de novembro de 2013

Meu Sonho - Parte 1


Quem me dera que se fosse verdade! E que essa verdade me libertaria, e que essa liberdade dissipasse o meu medo de me aventurar!
E que foi uma noite tão bela e tão neblinosa, segundo o meu sonho, uma noite de Lua Cheia que brilhava entre os crucifixos do cemitério ao lado e que me trazia um frio melancólico... Oriundo de saudades eternas, deixadas por um amor que se foi recentemente.
Esse amor se chamava Jorge, um sujeito de uma aparência extraordinária, com seus cabelos longos e negros, contrastando a sua pálida tez. Tinha um pleno gosto pelo o obscuro, e que daí tirava inspirações para compor poesias e canções. Andava sempre com seu violão, e que fazia serenatas para mim nas noites de sexta-feira. Ai como eu amava aquele homem! E que sua morte me deixou tão aflita, tão abalada... Foi uma perda tão grande como se parte do meu corpo fosse amputada. Ainda sinto tamanhas dores, saudades acesas que jamais irá se apagar... Em minha alma!
Jorge morreu assassinado durante um assalto na empresa onde trabalhava. Ele trabalhava no ramo de informática e como ele tinha um temperamento explosivo, reagiu durante o assalto e que aí o bandido deu dois tiros na cabeça dele e que morreu na hora. Isso aconteceu uns 2 dias atrás, e pelo o que o leitor pode notar, estou muito aflita, abatida pela dor da perda, perda tamanha, luto eterno!
O Jorge me fazia feliz, era o homem da minha vida. Iríamos nos casar no ano que vem, e tínhamos nítidos planos para o nosso matrimônio. Quando o conheci, foi amor a primeira vista, tive uma série de sentimentos inexplicáveis, como se o destino apontasse a pessoa certa para mim. Tínhamos muitas coisas em comum e ele dizia que eu era a menina dele, e que seríamos muito felizes eternamente.
Não dormi na noite de sua morte, e nem no dia seguinte. O choque, a dor me tirou o sono. E foi no 3° dia depois de sua morte é que me chegou um sono, um sono pesado e reconfortante. Dormi profundamente. E foi nesse sono que tive o sonho um tanto louco, medonho e com um toque de obsessão, por conta da extrema saudade que Jorge deixou em meu coração. E que sonhei nitidamente!

Continua na próxima semana...




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